A operação Obama<br>e a subserviência do Governo
«Não basta que as moscas mudem para mudar o resto que neste caso é o imperialismo norte-americano»
Em resultado da política externa seguidista do Governo do PS, a operação Obama está a bater com força à nossa porta, mostrando aos olhos dos portugueses o que realmente se esconde por detrás da simpática imagem do novo presidente norte-americano.
Não era preciso ser bruxo para prever que, fosse qual fosse o rosto de serviço na Casa Branca - «democrático» ou «republicano», da «terceira-via» blair-clintoniana ou «neocon» à Bush - do outro lado do Atlântico não podia vir nada de bom para o mundo e em particular para Portugal e para os portugueses. Como bem diz o nosso povo, não basta que as moscas mudem para mudar o resto que neste caso é o imperialismo norte-americano com a sua brutal dinâmica de exploração e domínio planetário. Embora no epicentro da crise capitalista e em declínio na sua posição mundial, os EUA são ainda uma potência poderosa que está determinada em defender a hegemonia que conquistou no campo imperialista no início do século passado, que consolidou com a segunda guerra mundial, e que as derrotas do socialismo tornaram ainda mais arrogante e perigosa. E defendê-la por todos os meios possíveis, desde o dólar ( de cujo papel depende em medida decisiva o poderio norte-americano) à utilização da sua enorme força militar.
Confissões como aquela com que Colin Powell brindou os leitores do Público (14.06.09) são bem esclarecedoras da estratégia da principal potência capitalista mundial. Quando aquele que chefiou a operação «Tempestade no deserto» que serviu a Bush-pai para anunciar a sua «nova ordem» totalitária (que os povos não deixaram consumar) e que exibiu na ONU as «provas» (as inexistentes armas de destruição maciça) que serviram de pretexto à invasão do Iraque, reconhece com desfaçatez que, com Obama e uma outra imagem do tio Sam, o que se pretende é assegurar a «liderança» planetária dos EUA, está dito o essencial. Mas a realidade concreta é ainda mais feia e inquietante. É esse o caso de Portugal em que, acompanhados de elogios a Obama indignos de estadistas que se prezem e onde se não vislumbra ponta de brio patriótico, avançam vertiginosamente compromissos e medidas que golpeiam severamente a soberania nacional e atrelam ainda mais o País à carroça de guerra do imperialismo.
Exemplos infelizmente não faltam, desde o empenhamento activo no reforço e mundialização da NATO e na militarização da União Europeia a peão da ofensiva dos EUA e do imperialismo em África. Com expressões recentes que se revestem de tanta maior gravidade, quanto se inscrevem nos preparativos, hoje já claramente assumidos por muitos escribas do sistema, para a eventualidade de uma saída para a crise pela via da guerra/guerras ainda mais mortíferas e destruidoras que as actuais. É o caso do envio de mais tropas portuguesas para o Afeganistão/Paquistão. É o caso da anunciada utilização da base das Lajes e do espaço aéreo dos Açores para transporte de tropas e meios militares directamente relacionados com a estratégia agressiva norte-americana no Médio Oriente e Ásia Central. Tudo isto com o insólito argumento de «ajudar» Obama e a nova administração norte-americana, e ao mesmo tempo que continua a esconder-se a verdade sobre os voos da CIA e sobre as responsabilidades das autoridades portuguesas nas sinistras operações de sequestro, prisão, tortura e assassinato de prisioneiros e quando o Governo se presta sem vergonha a comprometer Portugal no sinistro imbróglio jurídico criado com o campo de concentração de Guantanamo.
Em 7 de Junho o PS e o seu Governo sofreram uma severa derrota, mas a política de direita não foi ainda derrotada, política que em matéria de defesa e alienação da soberania nacional assume contornos particularmente graves e inquietantes. É tempo de dizer basta!
Não era preciso ser bruxo para prever que, fosse qual fosse o rosto de serviço na Casa Branca - «democrático» ou «republicano», da «terceira-via» blair-clintoniana ou «neocon» à Bush - do outro lado do Atlântico não podia vir nada de bom para o mundo e em particular para Portugal e para os portugueses. Como bem diz o nosso povo, não basta que as moscas mudem para mudar o resto que neste caso é o imperialismo norte-americano com a sua brutal dinâmica de exploração e domínio planetário. Embora no epicentro da crise capitalista e em declínio na sua posição mundial, os EUA são ainda uma potência poderosa que está determinada em defender a hegemonia que conquistou no campo imperialista no início do século passado, que consolidou com a segunda guerra mundial, e que as derrotas do socialismo tornaram ainda mais arrogante e perigosa. E defendê-la por todos os meios possíveis, desde o dólar ( de cujo papel depende em medida decisiva o poderio norte-americano) à utilização da sua enorme força militar.
Confissões como aquela com que Colin Powell brindou os leitores do Público (14.06.09) são bem esclarecedoras da estratégia da principal potência capitalista mundial. Quando aquele que chefiou a operação «Tempestade no deserto» que serviu a Bush-pai para anunciar a sua «nova ordem» totalitária (que os povos não deixaram consumar) e que exibiu na ONU as «provas» (as inexistentes armas de destruição maciça) que serviram de pretexto à invasão do Iraque, reconhece com desfaçatez que, com Obama e uma outra imagem do tio Sam, o que se pretende é assegurar a «liderança» planetária dos EUA, está dito o essencial. Mas a realidade concreta é ainda mais feia e inquietante. É esse o caso de Portugal em que, acompanhados de elogios a Obama indignos de estadistas que se prezem e onde se não vislumbra ponta de brio patriótico, avançam vertiginosamente compromissos e medidas que golpeiam severamente a soberania nacional e atrelam ainda mais o País à carroça de guerra do imperialismo.
Exemplos infelizmente não faltam, desde o empenhamento activo no reforço e mundialização da NATO e na militarização da União Europeia a peão da ofensiva dos EUA e do imperialismo em África. Com expressões recentes que se revestem de tanta maior gravidade, quanto se inscrevem nos preparativos, hoje já claramente assumidos por muitos escribas do sistema, para a eventualidade de uma saída para a crise pela via da guerra/guerras ainda mais mortíferas e destruidoras que as actuais. É o caso do envio de mais tropas portuguesas para o Afeganistão/Paquistão. É o caso da anunciada utilização da base das Lajes e do espaço aéreo dos Açores para transporte de tropas e meios militares directamente relacionados com a estratégia agressiva norte-americana no Médio Oriente e Ásia Central. Tudo isto com o insólito argumento de «ajudar» Obama e a nova administração norte-americana, e ao mesmo tempo que continua a esconder-se a verdade sobre os voos da CIA e sobre as responsabilidades das autoridades portuguesas nas sinistras operações de sequestro, prisão, tortura e assassinato de prisioneiros e quando o Governo se presta sem vergonha a comprometer Portugal no sinistro imbróglio jurídico criado com o campo de concentração de Guantanamo.
Em 7 de Junho o PS e o seu Governo sofreram uma severa derrota, mas a política de direita não foi ainda derrotada, política que em matéria de defesa e alienação da soberania nacional assume contornos particularmente graves e inquietantes. É tempo de dizer basta!